Mãos - João das Flores

Mãos
[João das Flores]
          
Eis as minhas mãos
Tão nuas
E dilaceradas de ilusões
São tuas
 
Não tenho a quem oferecer
Ninguém as quer
São as mãos tão calejadas
De uma mulher
 
Que se deu demais
Que perdeu a paz
Por acreditar
Que fôsse capaz
 
De domar o amor
Ser espinho e flôr
Criar alegria
Na dor
 
Toma as minhas mãos
Perdoa
Estas mãos desfiguradas
Tão boas
 
Que te amaram tanto
Te afagaram tanto
E que escondem o encanto
Do amor de mulher
 
 
João das Flores
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